Thursday, June 29, 2006

!!! CANABINÓIDES

Um neurocientista brasileiro conseguiu elucidar em detalhe o mecanismo bioquímico que conecta a regulação do apetite aos chamados endocanabinóides --substâncias naturais do organismo que imitam a ação dos derivados da a maconha.

Renato Malcher-Lopes, do Instituto Cérebro Mente de Lausanne, na Suíça, evita usar a expressão "larica", mas seu estudo de fato ajuda a explicar a fome súbita que usuários da droga sentem após consumi-la."Nós mostramos que o endocanabinóide da área do cérebro que controla o apetite é regulado por dois hormônios muito relevantes para a fisiologia dos animais: os glucocorticóides e a leptina", disse Malcher-Lopes à Folha. Trabalhando com fatias de cérebro de rato cultivadas em laboratório, o pesquisador mostrou que enquanto os glucocorticóides fazem aumentar a concentração de canabinóides, a leptina a faz cair.Em estudo no periódico científico "The Journal of Neuroscience", o cientista mostra passo a passo quais são as enzimas envolvidas nesse processo. "A industria farmacêutica pode agora olhar para cada uma delas e tentar buscar alterar suas atividades específicas", diz Malcher-Lopes.Além de detalhar a cadeia bioquímica de reações envolvida no processo, o grupo de Malcher-Lopes descobriu que o aumento de apetite pelo consumo de maconha aumenta por meio de duas vias. A primeira delas, que já era explicada pela ciência, é fazendo que os usuários sintam mais prazer com o sabor da comida. "Mas o endocanabinóide também inibe o dispositivo que o cérebro tem para levar o animal a parar de comer", explica o pesquisador.Além da maconha medicinal usada por pacientes com problema de falta de apetite, como doentes de Aids, já existem drogas que se valem do mesmo princípio, mas para cortar a fome, bloqueando sinais de endocanabinóides no cérebro. Agora que se sabe como esses medicamentos atuam, é possível planejar melhor sua aplicação, adequando-a aos horários de alimentação, por exemplo.

Encruzilhada metabólica

O trabalho de Malcher-Lopes, apesar de se voltar mais à explicação molecular do controle do apetite, pode ajudar a investigar outros fenômenos hormonais no organismo."Os canabinóides estão aparecendo cada vez mais como uma grande encruzilhada metabólica", diz Sidarta Ribeiro, diretor de pesquisa do Instituto Internacional de Neurociências de Natal, em fase de implantação. "Eles também têm relação com estresse, sono, memória e, provavelmente, controle emocional".Segundo Ribeiro, o estudo dessas moléculas tem crescido muito nos últimos 15 anos, desde que se descobriu que elas existiam naturalmente no cérebro. Enquanto em 1991 o banco de dados PubMed listava apenas um estudo sobre endocanabinóides, em 2005 já havia 70 trabalhos.O crescimento da área deixa Malcher-Lopes entusiasmado com a possibilidade de aplicação de seu estudo. "É como se a gente tivesse descoberto um botãozinho dentro do cérebro que regula uma série de sistemas hormonais muito relevantes para a sobrevivência do animal em situações diárias e de estresse", diz.Depois de aperfeiçoar sua técnica, o cientista pretende trabalhar com animais vivos para confirmar seus estudos. "Queremos procurar estratégias farmacológicas para tratar diversas mazelas, associadas tanto ao excesso de estresse quanto ao excesso de peso."

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Uso medicinal da maconha carece de base científica, diz FDA da France Presse, em Washington

A FDA, agência federal americana que regula alimentos e produtos farmacêuticos nos Estados Unidos, considera que não existe base científica que justifique o uso medicinal da maconha.A FDA contradiz assim as conclusões de um grupo de médicos que integram o respeitado Instituto de Medicina (IOM, na sigla em inglês), que havia considerado, em 1999, que a maconha poderia "ser moderadamente útil para reduzir alguns sintomas, como a náusea e os vômitos causados pela quimioterapia nos doentes de câncer e a anorexia dos doentes de Aids".Segundo a FDA, "nenhum estudo científico sério demonstra a utilidade médica da maconha" para tratamentos nos Estados Unidos e nenhum dado humano ou animal apóia a inocuidade ou a eficácia da maconha para o uso médico geral".
Além disso, "há indícios sólidos que destacam que fumar maconha é nocivo", destacou a agência, em um comunicado publicado na última sexta-feira em seu site na internet.No total, 11 Estados americanos autorizaram por referendo e por votação em Parlamento o uso da maconha para vários problemas médicos, como a Aids, o câncer, o glaucoma e a esclerose múltipla, sempre sob prescrição médica.Mas a Suprema Corte americana resolveu em 2005 tornar ilegal o uso da maconha, autorizando o governo federal a deter qualquer pessoa que use esta droga inclusive por razões médicas nos estados em que seu uso havia sido legalizado, como a Califórnia, por exemplo.John Walters, diretor do controle americano de entorpecentes e "czar antidrogas" do presidente americano, George W. Bush, disse que "até agora, a pesquisa científica não determinou que fumar esta planta é seguro ou eficaz"."Como sociedade civilizada, temos a responsabilidade de garantir que os medicamentos que os americanos recebem de seus médicos são eficazes, seguros e livres de políticas pró-drogas promovidas nos Estados Unidos sob a aparência de medicamento", acrescentou.

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Argentina reconhece uso terapêutico da maconha da Ansa, em Buenos Aires

A Justiça argentina emitiu uma decisão inédita, admitindo que a maconha seja consumida com fins terapêuticos.
Em sua decisão, a Câmara Federal de Buenos Aires considerou que uma mulher que cultivava maconha em sua casa não cometeu nenhum crime, pois utilizava a substância para atenuar suas dores.Em primeira instância, a mulher havia sido condenada por posse de drogas ilegais. Por sua vez, a Câmara considerou que o critério utilizado pela juíza não era correto, pois "é pertinente analisar a intensidade da dor que a acusada sentia".A acusada alegava sentir dores insuportáveis nas costas, que a impediam de dormir.O pronunciamento do alto tribunal é o primeiro a caracterizar que o uso da maconha, em quantidades restritas, pode ter fins terapêuticos, abrindo, assim, jurisprudência.Em suas considerações, os juízes aceitaram o argumento central da defesa. O doutor Gustavo Kollmann, que atuou como defensor público, alegou que a acusada, ao consumir maconha para conseguir suportar as dores, exercitou seu "direito à saúde", defendido pela Constituição argentina."O Estado deve reconhecer a todos os indivíduos o direito de paliar os efeitos de suas doenças da melhor maneira possível", sustentou a defesa.

1 comment:

Miguel said...

Está explicado!