Wednesday, October 23, 2013

Mais uma tentativa...








Açores
Há um intenso orgulho
Na palavra Açor
E em redor das ilhas
O mar é maior

Como num convés
Respiro amplidão
No ar brilha a luz
Da navegação

Mas este convés
É de terra escura
É de lés a lés
Prado agricultura

É terra lavrada
Por navegadores
E os que no mar pescam
São agricultores

Por isso há nos homens
Aprumo de proa
E não sei que sonho
Em cada pessoa

As casas são brancas
Em luz de pintor
Quem pintou as barras
Afinou a cor

Aqui o antigo
Tem o limpo do novo
É o mar que traz
Do largo o renovo

E como num convés
De intensa limpeza
Há no ar um brilho
De bruma e clareza

É convés lavrado
Em plena amplidão
É o mar que traz
As ilhas na mão

Buscámos no mundo
Mar e maravilhas
Deslumbradamente
Surgiram nove ilhas

E foi na Terceira
Com o mar à proa
Que nasceu a mãe
Do poeta Pessoa

Em cujo poema
Respiro amplidão
E me cerca a luz
Da navegação

Em cujo poema
Como num convés
A limpeza extrema
Luz de lés a lés

Poema onde está
A palavra pura
De um povo cindido
Por tanta aventura

Poema onde está
A palavra extrema
Que une e reconhece
Pois só no poema

Um povo amanhece

Sophia de Mello Breyner,
O Nome das Coisas, Morais Editores, Lisboa, 1977

Wednesday, September 26, 2012

FurtosI

In a hierarchy every employee tends to rise to his level of incompetence. Members are promoted so long as they work competently. Sooner or later they are promoted to a position at which they are no longer competent, and there they remain. In time, every post tends to be occupied by an employee who is incompetent to carry out his duties. Work is accomplished by those employees who have not yet reached their level of incompetence."
(Lawrence J. Peter / Raymond Hull, The Peter Principle)

From

Caso de SucessoI

Temos na cidade um exemplo de gestão autárquica acima de qualquer suspeita.
Então no que ao sistema de parquimetros gerido pela empresa PagaqueRende diz respeito, é um estrondoso sucesso.
Depois da alienação de jardins publicos, transformados em esplanadas privadas, as ruas foram vendidas a uma empresa que utiliza mão de obra barata para esturquir à lei da falsa fé, os poucos que ainda resistem a viver e trabalhar na vila.
É certo que existem as máquinas de engolir moedas de euro, para quem entender lá deixar o seu contributo, também sei, que parques de estacionamento não faltam, muito menos urbanas fantasma, mas que diabo, nunca pensei ver isto entregue a uns quaisquer ciganos com email.
Tenho a dizer que o Plano de Mobilidade, projecto que reorganizou e reorientou a circulação e o estacionamento, é sem dúvida um marco na nossa vida comunitária.
Sem ele, isto seria um sitio muito melhor para viver.
Procura-se motorista!!
Chamem a Polícia!!

Memórias de Dias Vividos I

Um Dia é Pouco ao Pé de Margarida
A nossa intimidade a três ou quatro é constrangida.
Tenho medo no ângor e uma urtiga no pé.
Um dia é pouco ao pé de Margarida:
A ausência é menos sozinha,
A muita companhia dá bandos longe. Até
A vida
É
Se tua, já menos minha:
Se própria de meu, repartida,
Por muitos na atenção, nem tua é.
Só nossa solidão dual e penetrada
Evita o perigo do nada
A que, por condição, setas, as nossas pernas
Apontam na cavidade inexorável,
Fim de molécula qualquer.
Mas, entretanto, Margarida amável
Será flor, ou mulher?

Vitorino Nemésio, in "Caderno de Caligraphia e outros Poemas a Marga"


PM 2012





Fotos:Alvarino2012@PM

Sunday, September 16, 2012

Mayday! Mayday!


Portugal está ao rubro! Depois do "boom" sócioeconómico da ERA Socrática, eis que os Frutos de 30 anos de vida folgada caem de podres.
Na verdade, estamos completamente entalados, e ninguém sabe o que fazer.
O que até é compreensivel, pois passamos os ultimos anos a contrair dívida, a fazer megaobras, a fazer disparates atrás de disparates, a contratar anormais enquanto dáva-mos milho aos pombos.
Vivemos o sonho cor de rosa, a perfeita utopia laranja, ensinada em universidades de verão e comícios itinerantes.
Acabou. Bem vindos à realidade. O dinheiro não era nosso. Não poderiamos ter gasto aquela merda toda em betão, acessores e ar condicionado.
A nossa "economia"  neste momento encontra-se  como uma automóvel num mecânico de bicicletas.
O carro não arranca. Ele vai de trocar peça atrás de peça. Sai o carro da oficina. O homem no dia seguinte tem de ir ao centro de emprego de transportes publicos. Com o carro parado à porta.
Reboque.
Troca o volante. Troca a embraiagem. Carro fora da garagem. Rola como um Ferrari.
À noite. Toca de ir ao cinema de metro.
Foda-se.
Carro para a Alemanha num contentor.
Não há dinheiro para desembargar o carro em Munique.
Que se lixe o carro.
Bicicleta para fora.
Toca a pedalar.

Só há uma solução!
Apreender a viver com o que Nosso Senhor nos deu.
Vamos a isso Portugal.

Saturday, September 15, 2012

O Regresso!

Foto: Alvarino Ferraz /Serreta

Ainda recordo o dia em que iniciei esta aventura aqui no BangBang, numa noite escura no Porto Martins, com mar de inverno e àrvores agitadas.
Algumas horas (muitas) passei por aqui, e por outras paragens deste género de comunicação.
Com o estoiro do facebook, e por mais uma ou outra razão deixei de navegar por estas àguas, no entanto nunca deixei de mergulhar uma vez ou outra!
Há uns dias grandes, conclui que o facebook não é nada bom... Penso até que não passa de uma grande merda!
Andarei à deriva por lá...porque tenho lá muitos tesouros.
Decidi recomeçar a minha viagem aqui, uma viagem solitária é verdade, mas muito mais confortável e comtemplativa.
Aqui sinto-me como peixe na àgua, navegação à vista!
Piratas há em todos os oceanos, mas pelo menos nestes mares eles estão vivos...
Siga!

Wednesday, January 18, 2012

Saturday, May 21, 2011

Crash and Burn

Foto: Maria Sharapova @ Italian Open


Têm dias, em que parece que estás lá e de repente... Grande performance, a fundo, e de repente...