Tuesday, November 10, 2009

Cais de Cruzeiros na Ilha Terceira - Exposição de Paulo Monteiro




Texto(carta) Retirado daqui.

Carta Aberta a Carlos César, Presidente do Governo Regional dos
Açores sobre a localização do Terminal de Cruzeiros da Ilha Terceira


Ponta Delgada, 22 Out (Lusa) - O presidente do Governo Regional dos Açores, Carlos César, reafirmou hoje que o Terminal de Cruzeiros da Terceira será construído em Angra do Heroísmo, rejeitando a existência de qualquer polémica envolvendo o vizinho concelho da Praia da Vitória.
"A polémica não existe. A opção do Governo regional está tomada e a localização decidida, o Terminal de Cruzeiros da Terceira será construído junto ao Porto das Pipas, em Angra do Heroísmo", afirmou Carlos César.
O presidente do Executivo regional, que falava aos jornalistas em Ponta Delgada, frisou que "não há qualquer dúvida sobre esta matéria".






Ex.mo. Sr. Presidente do Governo Regional dos Açores


Tomo a liberdade de lhe escrever esta carta aberta que, aposto, o surpreenderá tanto quanto a mim me surpreende ter que a escrever – confesso que, quando cheguei a casa, esta tarde, estava muito longe de pensar que ainda aqui estaria, noite fora, a alinhavar estas linhas que se seguem.


Afinal, não poderia ficar em paz comigo mesmo, hoje, especialmente hoje, depois de ter lido na Lusa as declarações que fez sobre a localização do Terminal de Cruzeiros da Terceira. De acordo consigo, e a acreditar no que transcreve o jornal, “a opção do Governo regional está tomada e a localização decidida, o Terminal de Cruzeiros da Terceira será construído junto ao Porto das Pipas, em Angra do Heroísmo".


Ora, justamente, a baía de Angra do Heroísmo, serviu - e passo a citar um decreto regional da autoria do seu Governo (DRR nº 20/2005/A, de 20/10/2005) “durante mais de quatro séculos, como um dos principais portos dos Açores e como ponto de escala e apoio durante o período de descobertas do Oriente e Novo Mundo, sendo por isso considerada de grande importância histórica. Naturalmente abrigado de quase todos os quadrantes e quase desprovido de baixios perigosos, foi local de escala de navios provindos das Índias Orientais, da costa africana e do Brasil e de embarcações oriundas do Novo Mundo, que, a pedido da coroa de Castela, aqui procuravam protecção militar.


Dois dos maiores perigos deste porto e do seu ancoradouro eram o recife submerso localizado no prolongamento da ponta de São Sebastião e a ocorrência de ventos fortes do quadrante sul-sueste. A presença de navios à vela no interior desta baía fechada conduzia facilmente ao desastre sempre que os ventos não eram favoráveis. A restinga conhecida por Baixio das Águas foi responsável por cerca de uma quinzena de naufrágios, tendo todos sido ocasionados pelo denominado Vento Carpinteiro, assim chamado por fazer arrojar contra a costa madeira dos navios, que era posteriormente usada na construção de edifícios da cidade. 


As referências históricas dão conta que a invernia era fatal para os navios que escalavam Angra, uma vez que a força das tempestades era tão grande que, por mais resistentes que fossem os cabos de âncora das embarcações, estas rapidamente se transformavam em naufrágios. Também, de acordo com os dados históricos, se verifica a ocorrência de pelo menos 74 naufrágios desde 1552 até 1996.


A grande maioria destes naufrágios ainda não se encontra localizada, conhecendo-se, até à data, 13 sítios arqueológicos no interior da baía de Angra. Dois deles apresentam excelentes condições para ser explorados do ponto de vista turístico, uma vez que possuem características geoculturais de grande interesse do ponto de vista museográfico.“


Fim de citação.


Presumo que esta importância histórica e arqueológica da baía de Angra – a de ser “um conjunto de sítios arqueológicos de interesse regional e nacional, resultantes dos diversos naufrágios ocorridos ao longo da história, integrado num território envolvente marcado de forma significativa pela intervenção humana passada, território esse que integra e dá significado ao monumento, sítio ou conjunto de sítios, e cujo ordenamento e gestão devam ser determinados pela necessidade de garantir a preservação dos testemunhos arqueológicos aí existentes” (um nítido desenvolvimento da lei 107/2001, que estabelece as bases da política e do regime de protecção e valorização do património cultural) - tenha sido o motivo pelo qual o seu Governo decretou, em 2005, a criação do Parque Arqueológico Subaquático da Baía de Angra.


Na altura, o seu Governo considerou que havia “a necessidade de garantir a preservação, o estudo e a fruição dos testemunhos arqueológicos aí existentes” e que a “promoção do turismo cultural poderia ampliar o conhecimento da história náutica e do turismo subaquático dos Açores”. Assim sendo, impôs como limites desse Parque “a linha de costa entre a Ponta do Farol, a sul do Monte Brasil e a baía das Águas, a leste do Forte de São Sebastião”.


Ora, lê-se e não se compreende – como é que se vai implantar um Terminal de Cruzeiros dentro de um Parque Arqueológico tanto mais que (ainda em desenvolvimento da lei 107/2001) o seu Governo fez alterar o Decreto Legislativo Regional n.º 27/2004/A, de 24 de Agosto, aditando (pelo DLR 8/2006/A) que são “proibidas nos parques arqueológicos as obras que possam ter efeitos intrusivos e perturbadores nos vestígios arqueológicos e ou do seu meio envolvente, que alterem a sua topografia, tais como obras de construção civil, ampliação ou demolição de edificações e muros, salvo em trabalhos de simples conservação e restauro ou limpeza, deposição de sedimentos, inertes ou quaisquer outros elementos, alterações do coberto vegetal, alterações da morfologia do solo; bem como escavações, dragagens e aterros, depósitos de sucata, areias ou outros resíduos sólidos que causem impacte visual negativo ou que poluam o solo, o ar ou a água”? 


Das duas, uma: ou o Terminal de Cruzeiro vai ficar fora dos limites do Parque Arqueológico (quiçá erigindo-se como uma ilha, ao largo, a emparelhar com o ilhéu das Cabras) ou então, sendo ilegais dentro do Parque quaisquer obras e dragagens, será o mesmo executado sob a forma de um insuflável, talvez ligado por amarras a terra, a alguns cabeçotes que se implantem no porto das Pipas… isto, claro, sou eu a divagar, eu, que nada percebo de engenharia hidráulica mas que falho em ver como se poderá conciliar este seu anúncio com os decretos que V. Exa. mandou – e muito bem – publicar em 2005 e 2006.


Em todo o caso, preocupo-me. E é por isso que lhe escrevo, na qualidade de cidadão. De cidadão que viveu, estudou e leccionou nos Açores durante onze anos da sua vida e que, veja lá como são as coisas, até contribuiu com o seu voto para a sua primeira eleição, para o cargo que ocupa ainda hoje. Mas, mais do que cidadão, escrevo-lhe como amigo dos Açores e dos açorianos e também como técnico de arqueologia, como primeiro autor da Carta Arqueológica Subaquática dos Açores e como um dos três co-coordenadores responsáveis pela implementação dos planos de prospecção e escavação arqueológica subaquática da baía de Angra do Heroísmo, no já longínquo ano de 1998.


Sim, eu sei que se passaram quase treze anos desde a última vez que nos encontrámos presencialmente num dos seus Conselhos de Governo, em Angra do Heroísmo, mas descanse – não lhe vou agora (embora devesse) cobrar a promessa que nos fez em como os dois naufrágios seiscentistas encontrados nessa baía aquando do processo de construção da marina da cidade seriam estudados e salvaguardados cientificamente. Nem sequer irei mencionar (outra vez) em público a forma vergonhosa como a Região Autónoma dos Açores deixa apodrecer há mais de onze anos um dos mais importantes e dos mais bem preservados (à altura) navios ibéricos até agora encontrados à escala mundial.


Nem sequer irei colocar em causa o porquê da construção de um terminal de cruzeiros no porto de Angra do Heroísmo, em total desconformidade com os princípios da economia, da eficiência e da eficácia, quando tem o porto oceânico da Praia da Vitória, de águas profundas, a menos de 20 km de distância. Nem lhe irei relembrar o quão acanhado e pouco profundo é o porto de Angra nem sequer a história do navio Run’Her que lá naufragou em 1864, exactamente por ter calado a mais para o fundo que demandava, numa sucessão de desaires que, a crer num jornal local, mais não foram do que “africanadas que custam caro aos donos dos navios e que podem desacreditar o porto”.


Não, não irei aqui discutir consigo a bondade técnica da solução que encontrou – julgo que estará na posse de muitos e variegados estudos, muito bem fundamentados do ponto de vista técnico, estudos esses que o ajudaram a tomar essa decisão.

Do que lhe venho falar aqui, senhor Presidente, é da minha profunda desilusão para com a sua política cultural, que tanto mal está a fazer a esse bem, único no mundo, que é o património cultural subaquático dos Açores e que o levou a apontar a mira a Angra para, novamente, lá se colocar betão no fundo do mar.


Sim, eu sei que publicou o DLR nº 27/2004/A, de 24/08/04, regulamentando a arqueologia subaquática, “enquadrando-a numa filosofia de política de prevenção, salvamento, investigação e apoio à gestão do património cultural subaquático”e onde até identificou “a multiplicação dos grandes planos de ordenamento” como uma ameaça de destruição do património arqueológico. E que fez publicar os decretos regionais acima descritos, criando o Parque Arqueológico da Baía de Angra. Por tal clarividência, dou-lhe os parabéns. Atrasados, mas não menos merecidos.


No entanto, o quão mais gostaria eu de lhe poder escrever, a congratulá-lo por ter levado à letra a Constituição Portuguesa, que diz ser tarefa fundamental do Estado “proteger e valorizar o património cultural do povo português” de modo a “promover a salvaguarda e a valorização” desde mesmo património, de modo a torná-lo “elemento vivificador da identidade cultural comum.”


Ou de o apoiar, com grande entusiasmo, por verificar que os Açores tinham lido à letra o Livro Verde da Comissão das Comunidades Europeias para uma Futura Política Marítima da União e que estavam a “utilizar fundos comunitários“ de forma a erigir as instituições necessárias para a preservação do seu património marítimo” ou que continuavam com assinalável vigor o esforço, iniciado há mais de quinze anos atrás, para elaborar “um inventário dos sítios arqueológicos submarinos”.


Quereria até cumprimentá-lo por estar a cumprir com a Estratégia Nacional para o Mar (DR 1ª série, nº237, de 12/12/2006), por estar a levar a cabo uma das suas acções estratégicas, “a promoção da valorização e preservação do património cultural subaquático arqueológico e histórico, incentivando o estudo dos aspectos sócio-culturais das actividades relacionadas com o mar, bem como a preservação em museus da especialidade de testemunhos históricos, arqueológicos e culturais relevantes.”


Mas, debalde. Ambos sabemos, infelizmente, que, apesar de todo o fantástico potencial que as ilhas têm para ser um dos territórios de excelência, a nível mundial, no âmbito da investigação arqueológica subaquática, ainda muitos anos e governos regionais terão que passar antes que esse potencial se verifique e se concretize.


Longe vão os anos em que os Açores enfrentaram com êxito os interesses poderosos dos caçadores de tesouros, nomeadamente pela mão de Directores Regionais da Cultura tão interessados e eficazes quanto Manuel Duarte e Luiz Fagundes Duarte (não tão longe vai o ano em que enviei à vossa Direcção Regional de Cultura todo o meu acervo textual e fotográfico relativo à arqueologia subaquática dos Açores e que ainda hoje estou para saber se foi recebido, se ficou algures perdido, ou se foi “arquivado” até às calendas gregas).

Mas voltando ao que me trouxe aqui, hoje. Este anúncio – o de, mais uma vez, se ir alterar, modificar, dragar, enrocar e cimentar a frente marítima de uma cidade que é Património Mundial – é a prova provada de quão irrelevante é, para esse Governo, o facto de Portugal ter ratificado quer a Convenção Europeia para a Protecção do Património Arqueológico (revista), quer Convenção sobre a Protecção do Património Cultural Subaquático (aprovada pela UNESCO e que entrou em vigor em Janeiro passado para os Estados Parte, nos quais se inclui o nosso país).


Com efeito, sabendo-se que naquela área diminuta há comprovadamente dezenas de naufrágios históricos, nunca o Governo Regional procurou, quer neste processo, quer no da marina de Angra, conciliar e articular as necessidades respectivamente da arqueologia e do ordenamento do território, garantindo, assim, aos arqueólogos a possibilidade de participarem nas políticas de planeamento de modo a estabelecer estratégias equilibradas de protecção, de conservação e valorização destes locais, com interesse arqueológico. Quase nunca o Governo atribuiu tempo e meios suficientes para se efectuar um estudo científico conveniente destes sítios arqueológicos, com publicação dos resultados, nem garantiu que os estudos de impacte ambiental e as decisões deles resultantes tivessem em conta esses mesmos sítios e o respectivo contexto.


Na verdade, as acções que resultaram em actos arqueológicos de relevo fizeram-se sempre a contragosto e sempre de má vontade. Relembro que, depois de mais de um ano à espera que fosse aprovado pelo Governo de V. Exa. o plano de intervenção arqueológica que apresentei, com urgência, a seu pedido, foi preciso ao Ministro da Cultura de então, Manuel Maria Carrilho, embargar a obra da marina – que começara “inopinadamente” - por três meses para que a arqueologia se fizesse, como era obrigação legal fazer-se, com todos os contratempos contratuais, financeiros e temporais (para não falar da criação, por parte da sociedade civil, de anticorpos contra a arqueologia subaquática açoriana) que tal acarretou.


Assim, sendo, e tendo ainda bem presente toda a “trapalhada” que foi o caso da marina – em que primeiro se dizia não haver naufrágios na zona; e que depois, quando encontrámos três naufrágios precisamente no alinhamento do futuro molhe, se veio dizer que eram traineiras da década de 50; e que ainda depois ficou toda a gente com as mãos na cabeça quando se apercebeu que havia legislação e que ela era para se cumprir – também neste caso, o deste Terminal sobre o qual V. Exa. não tem dúvidas vir a ser construído na baía de Angra, deixe-me recordá-lo de alguns factos.


Em primeiro lugar, preconiza o DL 107/2001 que “constituem particulares deveres da Administração Pública competente no domínio do licenciamento e autorização de operações urbanísticas, o certificar-se de que os trabalhos por si autorizados, que envolvam transformação de solos, revolvimento ou remoção de terreno no solo, subsolo ou nos meios subaquáticos, bem como a demolição ou modificação de construções, estão em conformidade com a legislação sobre a salvaguarda do património arqueológico”, devendo para tanto “dotar-se de meios humanos e técnicos necessários no domínio da arqueologia ou recorrer a eles sempre que necessário”.

Ainda de acordo com a mesma lei (que não existia, infelizmente, em 1998) “os serviços da administração do património cultural condicionarão a prossecução de quaisquer obras à adopção pelos respectivos promotores, junto das autoridades competentes, das alterações ao projecto aprovado capazes de garantir a conservação, total ou parcial, das estruturas arqueológicas descobertas no decurso dos trabalhos”, ficando os “promotores das obras obrigados a suportar, por meio das entidades competentes, os custos das operações de arqueologia preventiva e de salvamento tornadas necessárias pela realização dos seus projectos. No caso de grandes empreendimentos públicos ou privados que envolvam significativa transformação da topografia ou paisagem, bem como do leito ou subsolo de águas interiores ou territoriais, quaisquer intervenções arqueológicas necessárias deverão ser integralmente financiadas pelo respectivo promotor.”


Já a Convenção sobre a Protecção do Património Cultural Subaquático diz que os “Estados Partes deverão preservar o património cultural subaquático em benefício da humanidade”, com a preservação in situ a ser “considerada opção prioritária antes de ser autorizada ou iniciada qualquer intervenção sobre o património. Consequentemente, as intervenções sobre o património cultural subaquático só deverão ser autorizadas se o procedimento for compatível com a protecção desse património e só poderão ser autorizadas se, sujeitas a tal requisito, contribuírem igualmente, de forma significativa, para a protecção, o conhecimento ou a valorização desse património.”


Mais. Lendo o Plano Regional Anual para 2009 (DLR 7/2009/A), presumo que parte das verbas destinadas a este projecto de construção do Terminal de Cruzeiros do porto de Angra do Heroísmo bem como para o reforço do enrocamento de protecção exterior do porto das Pipas provenha da Comunidade Europeia, através do FEDER/Proconvergência (no qual, note-se de passagem, não considerou importante o Governo dos Açores inscrever qualquer acção no plano arqueológico num dos seus objectivos prioritários (a valorização do património cultural - O.E. 2.2 Eixo Prioritário II).


Ora, receber verbas comunitárias implica aceitar regras comunitárias – nomeadamente implica que as operações inscritas no FEDER, para efeitos de aceitação, devem não só cumprir os normativos nacionais e comunitários, em particular em matéria de ambiente, igualdade de oportunidades, concorrência e contratação pública, como também estar conformes com a legislação nacional e comunitária identificada e que lhes seja aplicável, podendo o contrato de financiamento ser objecto de rescisão unilateral em caso de não cumprimento das obrigações legais do beneficiário.


Parafraseando-o: eu não duvido que, promovendo V. Exa. o que deve promover legalmente – um estudo sério e rigoroso de avaliação de impacte ambiental que contemple a vertente arqueológica subaquática – saiam de debaixo daquela restinga meia dúzia de naufrágios históricos.  


Não duvido também que, fazendo o que tem a fazer no quadro da legislação comunitária, nacional e regional em vigor – promover o estudo atempado e bem financiado desses mesmos naufrágios – os custos financeiros, culturais e patrimoniais irão disparar (ou, como sói dizer-se nos nossos meios económicos, irão “derrapar” significativamente).


Dando de barato que é inconciliável a construção desse Terminal com a legislação que o seu próprio Governo publicou; sendo evidente que o estatuto de Angra enquanto cidade Património Mundial é mais uma vez ferido (de morte?) por outra obra em frente marítima, já que a descaracterizará ainda mais enquanto porto de escala dos Descobrimentos; assumindo que a obra decorrerá indubitavelmente por sobre jazidas arqueológicas subaquáticas, com a consequente colisão com as mais diversas normas do direito regional, nacional, comunitário e internacional que visam a protecção do património cultural, peço-lhe, senhor Presidente do Governo Regional dos Açores que, por favor, reconsidere - construa o seu Terminal de Cruzeiros onde quiser.


Só não o faça na já tão martirizada baía de Angra e à custa do seu tão maltratado património cultural subaquático.




Alexandre Monteiro


Arqueólogo Subaquático



23 de Outubro de 2009

Clube Golfe Ilha Terceira - Torneio das Castanhas 2009



Valeu o convívio, elas (bolas) queriam era mata, há sempre mais uma volta para dar...
Apesar do esforço, não foi ainda desta que levamos o 1º lugar net, mas sinto que está cada vez mais próximo, resta manter o ritmo, e ter mais "ganas" nos momentos de decisão!

Benfica à Campeão, Ganha com Mérito

Monday, 9 November 2009
Benfica Naval
1-0
Javi Garcia (86)
(HT 0-0)

Bookings:
Pereira (38
Gomis (11)
Daniel (18)
Godemeche (29)
Baradji (56

fonte: BBCsport

Carrega Benfica, carrega!

Friday, November 06, 2009

Debate sobre o programa de governo novembro de 2009

Intervenção Paulo Portas:

No dia 27 de Setembro, o senhor venceu as eleições. Não com o meu voto, como compreenderá. Mas com o voto de uma maioria relativa de Portugueses, que eu respeito.

A primeira utilidade deste debate é convidá-lo a fazer o que, até hoje, Vossa Excelência, evitou fazer: esclarecer o país sobre a sua interpretação de um resultado eleitoral que lhe deu mandato para governar mas que lhe retirou a maioria absoluta dos deputados. Porque, como creio que já terá reparado, o político é o mesmo, mas as circunstâncias mudaram. Vossa Excelência é primeiro-ministro; mas o povo estabeleceu limites ao seu modo de governar.

Ora, com a presciente excepção do novo ministro da Defesa que, num assomo de modéstia, reconheceu que perder a maioria absoluta implicava renunciar a alguns aspectos do programa do PS, o primeiro-ministro, até hoje, ainda hoje, recusou tirar consequências dessa prosaica evidência dos factos.

Tenho ouvido os seus discursos com atenção. Oiço-o aplicar ao seu mandato verbos como manter, continuar, insistir, prosseguir. Mas não lhe ouvi, até hoje, empregar - nem no plural majestático - os verbos corrigir, rectificar, alterar ou mudar.

Ora, o senhor primeiro-ministro certamente não ignora que, no dia 27 de Setembro, o PS ficou em primeiro - tem, por isso, legitimidade para governar - mas perdeu 517 mil votos; perdeu 24 deputados; perdeu 8.5% dos votos; e perdeu, portanto, a maioria absoluta, o que significa que não poderá, nos próximos quatro anos, usurpar o poder legislativo, que é do Parlamento, nem prejudicar a função fiscalizadora, que é desta Câmara.

Vossa Excelência governará, desde que saiba para onde vai, negoceie com sinceridade, procure compromissos e aceite ceder quando é necessário. O que não pode Vossa Excelência é pretender que tudo fica como dantes. É certo que a história regista o caso de um Governo que começou com maioria relativa e, por mérito próprio e demérito alheio, obteve depois a maioria absoluta. Mas o seu caso é exactamente o oposto: o senhor já teve a maioria absoluta e perdeu-a; tem agora, apenas, a maioria relativa, e se não souber colocar em primeiro lugar o interesse nacional, uma cultura de negociação, uma atitude de compromisso, procurando mais o que une do que aquilo que divide, Vossa Excelência mostrará pouco respeito pelos sinais do povo, escassa preocupação pela situação dificílima de Portugal, e perder-se-á.

O CDS foi o primeiro Partido a esclarecer que este debate não devia ser palco para radicalismos. Por isso recomendámos que não se lembrasse o Governo de suscitar uma moção de confiança; não fosse o senhor querer forçar o Parlamento a dar-lhe o que o povo lhe retirou.

De caminho, acrescentámos que não teríamos disposição para iniciativas de rejeição. Basta ter presente que os portugueses votaram há cerca de um mês, fizeram as suas escolhas, dispensam crises para além da crise que já sofrem todos os dias, desejam, politicamente, sossego e, sobretudo, exigem soluções; bastava isso e ainda ler a Constituição e o que ela diz, vedando a dissolução após eleições, para perceber que o CDS teve a posição responsável sobre este debate. Se recordo esse facto é para me dirigir ao primeiro-ministro, para reclamar que cumpra a sua parte, no que ao sentido de responsabilidade diz respeito.

Sendo muito directo: Vossa Excelência ainda não definiu o seu rumo. Os sinais que deu, até aqui, merecem, por isso, um curto, mas sério, reparo.

O primeiro sinal foi o de uma encenação, carente da mais remota autenticidade. Decidiu Vossa Excelência fazer de conta que sondava para uma coligação, o PSD matinalmente, o CDS por altura da sesta, o Bloco já à tardinha e o PCP pela hora do jantar. A sua intenção era que os Portugueses o julgassem, por momentos, um político cordato, generoso e atencioso. Tem Vossa Excelência uma parca ideia sobre a intuição dos nossos compatriotas.

Quem convida toda a gente para uma coligação não convida, verdadeiramente, ninguém. Quem convida todos para uma coligação, não está a pensar em nenhuma. E quem é tão indeciso nos convites, manifestamente não decidiu, ainda, para onde vai. Ocorre-me até perguntar o que teria sucedido caso, por hipótese, o PSD e o PCP tivessem dito que sim. O que faria? Uma coligação entre Sócrates, Manuela e Jerónimo? Com que misteriosas políticas em comum? E o que sucederia caso o CDS ou o BE tivessem tido a peregrina ideia de o surpreender afirmativamente? Quem excluíria Vossa Excelência? E porquê? Em nome de que valores ou políticas? Bem se vê, senhor primeiro-ministro, que essa encenação não foi mais do que política virtual. Ora, os problemas de Portugal são bem reais. Quem sou eu para o aconselhar, senhor primeiro-ministro, mas pedir, posso pedir: seja realista, faça o que é possível. Não fantasie.

O segundo sinal não foi melhor augúrio. Empreendeu o Governo na ideia de que o Programa aqui apresentado havia de ser a cópia exacta do Programa eleitoral do PS. A sua opção volta a ser a da aparência, não a do realismo. O senhor não pretendia mais do que um apoio pueril da opinião publicada: então não haviam de coincidir os Programas? Sucede que o senhor sabe, nós sabemos, todos os Portugueses sabem, que o seu programa eleitoral foi pensado para a maioria absoluta que o PS queria queria! mas não teve. E se não teve, algo devia mudar. Em vez de assumir isso, e definir então para onde quer ir e com quem, adaptar-se aos factos e pensar na melhor forma de servir o país, o Programa aqui apresentado é como as estátuas de sal: prossegue a ilusão de um poder absoluto que simplesmente já não existe. Convença-se disso.

A tal ponto assim é que este Programa vem imune aos próprios factos objectivos que aconteceram depois de 27 de Setembro. Por exemplo, ao facto de as entidades europeias confirmarem que o nosso défice está nos 8%, e não naqueles 5.9% pelos quais o Governo jurava, como se estivesse a fazer o preço na loja dos chineses, agarrado a uma décima que tornasse o caso mais parecido com 5 do que com 6. O programa reflecte essa verdade? Não: nem a obrigação de, mais semana, menos semana, terem de rever previsões conscientemente subestimadas, vos comoveu.

Outro facto que aconteceu e não vos fez maditar foi o anúncio, pela Alemanha, que é o motor económico da Europa, e pela Suécia, que assegura a presidência da União, de que a respectiva estratégia para sair da crise, apesar dos défices que também têm, sofreu uma alteração: decidiram baixar selectivamente impostos para restabelecer a confiança, devolver poder de compra, estimular o crescimento, assim gerar receita e, sobretudo, promover o emprego.

Não creio que o primeiro-ministro possa aplicar a esses parceiros europeus o elenco de epítetos com que costuma caricaturar as propostas fiscais do CDS. Mas convença-se: a sua obsessão em manter a carga fiscal, e na prática aumentá-la, começa a tornar-se uma autarcia ideológica no espaço europeu. Atrasa a retoma, não responde ao desemprego e acentua, ainda mais, o nosso atraso. Esmiuçando o Programa, reparamos que é mudo e quedo também quanto aos exemplos fiscais que chegam de fora.

Outro exemplo ainda, revelador de um Programa que não é pró-activo. O Observatório da Reforma das Leis Penais, por vós nomeado e liderado por alguém que é insuspeito de ser próximo de nós, acaba de reconhecer que, no ambiente de criminalidade que vivemos, as leis penais não podem ficar como estão. Cada dia que passa sem consagrar o julgamento rápido do delinquente apanhado em flagrante, sem agravar o castigo dos que reincidem e sem alargar o tipo de crimes a que se aplica a prisão preventiva, é mais um dia em que os delinquentes se sentem impunes, quem devia ser julgado não o é, quem devia estar preso não está, e quem não podia ser solto, solto é. O vosso próprio observatório o diz. Mas ao escrever o Programa, o Governo também aqui não se impressionou, nem sequer para admitir uma nova prioridade.

Enfim, foram as instâncias do Governo a reconhecer que, só em 2008, com a amostra disponível, pelo menos 15% dos beneficiários do Rendimento Mínimo estão a recebê-lo indevidamente, com fraudes e abusos que, oficiosamente, se sabem atingir os 20%. Os redatores do Programa dedicaram um segundo que fosse a cogitar no que isto significa? Não se nota. O que isto significa é que, num país onde o salário médio está bem abaixo dos 1000E, o Estado, à custa do contribuinte, financia, pelo menos, entre60 a 80 mil abusadores do Rendimento Mínimo, com uma despesa superior a 100ME que seria bem melhor aplicada nas pensões de quem não fez outra coisa na vida senão trabalhar.

Estes exemplos mostram que o Programa podia e devia ter sido actualizado e não foi. Segue mais a linha de ignorar factos incómodos mas verdadeiros do que a linha de os reconhecer e proceder a mudanças em conformidade.

Por fim, o terceiro, último e insólito sinal dado pelo Ministro dos Assuntos Parlamentares na muito sensível questão da avaliação dos docentes. Ainda a nova Ministra da Educação não tinha dito uma palavra sobre os professores nem aos professores e já o senhor Ministro se atravessava no seu caminho secundarizando-a, obviamente -, e em vez de sugerir um compromisso, tomar a iniciativa de procurar, nesta Câmara, os denominadores comuns, preferiu entrar a pés juntos, revelar intransigência e - nada menos - ameaçar, ameaçar-nos e ameaçar o país com querelas constitucionais!

Senhor primeiro-ministro, responda-me a uma perguntazinha: se Vossa Excelência substituíu a anterior ministra, por alguma razão terá sido, não? Se já duas vezes tiveram de rever aquele modelo de avaliação, por alguma razão terá sido, não? É assim tão difícil para si reconhecer o óbvio ou seja, que na questão dos professores há erros de política, e não meros erros de comunicação? Pela parte do CDS, digo-lhe que não somos sensíveis a ameaças; que lhe proponho, vivamente, pôr de lado o orgulho; convido-o a perceber que a paz nas escolas é o que todo o país quer, porque já falta a paciência para tanta beligerância no bunker da 5 de Outubro. E já agora, senhor primeiro-ministro, não troque o malhar, malhar, malhar, pelo ameaçar, ameaçar, ameaçar. Haja bom senso e procure-se uma solução de consenso. É possível e é necessária.

Quando o PS perdeu a maioria absoluta, esperar-se-ia um tempo de digestão dessa evidência, mas sobretudo, a rectificação de um homem de Estado. Os três sinais que aqui referi evidenciam uma espécie de recaída: uma nostalgia daquele quero, posso e mando que os Portugueses, simplesmente, esvaziaram. A bem de todos, Senhor Primeiro-ministro, rectifique.

Esclarecidos estes pontos passo a enviar que conheça as regras que, para nós, ajudam a construir uma legislatura boa para Portugal.

O senhor usará os argumentos que entender. Mas o argumento do anterior Governo, que foi panaceia para tudo, caducou. O anterior Governo é o seu, as anteriores políticas são as suas. Não o queira agora substituir por uma vitimização sem qualquer motivo.

Vossas Excelências, andam fascinados com a expressão coligação negativa. Eu bem sei que o senhor primeiro-ministro, quando foi eleito líder do PS, não teve mais do que um semestre na oposição, e já conta com muitos anos de Governo, primeiro-ministro, ministro e secretário de Estado. Talvez esse facto explique um equívoco é que Vossa Excelência parece achar que a oposição só é legítima quando não se opõe. Desengane-se: em parte alguma do mundo, excepto nas autocracias, é assim.

Por outro lado, não crie fantasmas. Os quatro Partidos de oposição que, directamente, foram a votos, são muito diferentes entre si. Ninguém no seu perfeito juízo imagina um programa comum entre o PSD, o CDS, o BE e o PCP. Mas senhor primeiro-ministro: se acontecer, certamente acontecerá, que toda a oposição vote contra diplomas do Governo, pode ter a certeza que tal sucederá, quando e se Vossa Excelência fizer opções ou tiver atitudes típicas do animal feroz, extremando ou radicalizando posições, constituindo-se, por isso, no verdadeiro factor de instabilidade; ou quando o senhor e o seu Governo abusarem, porque contrariar o abuso não é uma questão ideológica, é simplesmente uma questão democrática.

Donde, convém clarificar as águas. Vossa Excelência tem legitimidade para exercer o poder executivo. Mas não pretenda substituir ou paralisar o poder legislativo: nesse poder a Assembleia da República é fundamental.

Deixei claro, logo depois das eleições, que nunca fui partidário do Governo de assembleia. Por isso também sou claro ao dizer-lhe que não ameace a Assembleia no exercício da função legislativa. A todos os Governos do mundo acontece ganhar ou perder votações. E, acontecendo perder, paciência, é a vida. Muda-se, melhora-se, tenta fazer-se melhor ou passa-se ao assunto seguinte.

Também é importante deixar nítido um pensamento sobre a função da fiscalização do Parlamento. Deve ser intensa e profícua. Dou-lhe um exemplo do que não deverá voltar acontecer: é impensável que uma Comissão de Inquérito como a do BPN trabalhe dia e noite como os senhores deputados trabalharam, apure factos e relações que só enobrecem a autenticidade e isenção desta Assembleia, e depois uma maioria, só porque é absoluta, transforme as conclusões numa pálida ideia do que foi descoberto, não porque a verdade seja inatingível, mas tão só porque a verdade dói a um Governador do Banco de Portugal que é camarada, acudindo-lhe a maioria para, literalmente, apagar as suas responsabilidades em erros muitos e caros de supervisão.

O estado de Portugal não é bom. O que Vossa Excelência tem pela frente é um país onde o desemprego cresce todos os dias e o número de falências não estanca; um país em que a emigração de jovens com talento é cada vez mais a sua única opção, já nos centros de emprego cresce, mês após mês, o número de imigrantes sem emprego, vítimas de leis facilitistas e máfias depradadoras; é um país em que tantos e tantos empresários não conseguem pagar ao trabalhador, como é seu primeiro dever, e ao mesmo tempo ao Estado, cheque após cheque, numa espiral fiscal e contributiva totalmente contraproducente em tempo de crise; é um país em que os mais pobres que são os mais velhos recebem muito pouco da sociedade para a qual trabalharam imenso, enquanto demasiada gente já onera a sociedade, descobrindo mesmo um modo de vida à custa dela, sem ter a mais pequena intenção de trabalhar; um país em que o endividamento está a atingir proporções demasiado preocupantes mas a criação de riqueza vem há décadas a cair, a cair lentamente, a cair até bruscamente, colocando-nos na posição de sociedade pouco viável e de economia em declínio, que se endivida para empobrecer e até na saída da crise volta a divergir do resto da Europa; um país oficialmente obcecado com as grandes obras, mas que sufoca, desperdiça e despreza os seus sectores produtivos, com especial relevo para a agricultura e o mar; um país em que a insegurança e a criminalidade não são combatidos com firmeza e, se necessário, com dureza, porque ainda é moda, no ambiente político, desculpar a delinquência, culpar a sociedade, ignorar a vítima e assim atraiçoar o trabalho da polícia; um país que a confiança na justiça é praticamente nula; um país que tem capacidades instaladas, por exemplo no sector social, para fazer muito mais consultas e cirurgias, mais rapidamente a mais doentes, e prefere, por mera rigidez ideológica, remetê-los para as listas de espera; um país em que só os ricos escolhem a escola dos filhos e todos os outros ficam à mercê de uma escola sem exigência e de uma educação para a estatística; um país em que o catálogo de direitos é sempre maior, e o elenco dos deveres é cada vez mais exíguo; um país que não está motivado, em que a esperança é um bem raríssimo.

Um país que, ainda assim, tem notáveis exemplos de generosidade, dádiva, espírito de iniciativa, talento artístico, mérito científico, e que espera de nós, de todos nós, apenas e só isto: dêem o melhor e ajudem o país a sair desta desoladora circunstância. Quanto mais não seja por isso, talvez o primeiro-ministro perceba porque é que, para nós, importante, vital, prioritário,é tudo o que une, não é o que fractura.

Senhor Primeiro-Ministro: vem aí o debate do Orçamento de Estado para 2010. Convém antecipar algumas questões, antes que Vossa Excelência queira vitimizar-se, optando por políticas exclusivamente suas, num Parlamento em que é, apenas, relativamente maioritário.

Se estivesse no seu lugar, procuraria aquilo que, surpreendentemente, não encontrei no seu discurso de hoje: um novo Acordo Social, capaz de mobilizar os empregadores e os trabalhadores para dar solução a um gravíssimo problema económico o da produtividade e atender, com justiça, à valorização do factor trabalho. É necessário um esforço para dotar a economia e as empresas de maior produtividade e para remunerar adequadamente, e não taxar barbaramente, os que querem trabalhar mais e melhor. Vá por aqui, senhor primeiro-ministro. E não se esqueça que a produtividade de hoje é uma questão empresarial e laboral, mas a de amanhã é uma questão das escolas e da sua exigência na preparação dos jovens.

Mas não só, senhor primeiro-ministro. Vá à Concertação Social perguntar se faz algum sentido, neste momento de crise, falências, desemprego e declínio económico, fazer entrar em vigor, no próximo dia 1 de Janeiro, um Código Contributivo que põe os trabalhadores a pagar mais ao Estado, põe as empresas a pagar mais ao Estado, põe as prestações de serviços a pagar mais ao Estado, põe os agricultores e os comerciantes a pagar mais ao Estado. Pura e simplesmente, este Código Contributivo pode ser o golpe de misericórdia numa economia já débil e doente. Sei que lhe custa ouvir: mais oiça, oiça agora, enquanto é tempo, e se não me quiser ouvir a mim, oiça os parceiros sociais. Se Vossa Excelência permanecer naquela atitude do eu fiz, eu é que sei, eu é que mando, preocupadamente lhe digo que o CDS tentará evitar o pior, aqui, na Assembleia da República.

Já o Orçamento de Estado há-de estar a ser concluído por esta altura. O que com toda a boa fé e sentido de responsabilidade, lhe sugiro, é que dê os sinais certos e não dê os sinais errados.

Refiro-me a sinais certos, ou errados, com tradução orçamental.

Sinal certo é apresentar números do crescimento, do défice, do endividamento, do desemprego, entre outros, credíveis e não virtuais. Sinal certo é preocupar-se não apenas com as grandes obras, mas também com o Pagamento Especial por Conta e os Pagamentos por Conta das PMEs, que, ficando como estão, levam ao genocídio das empresas e dos empregos. Sinal certo é não quer antecipar tanta receita com as retenções na fonte, porque isso também esmaga o poder de compra. Sinal certo é ver o que pode fazer, para que, realmente, o número de filhos comece a descontar alguma coisa mais no IRS a pagar.

Sinal certo é encontrar uma solução estrutural para que o Estado pague a horas, pague mais quando se atrasa, não exija garantias para pagar o que deve nem eternidades para reembolsar o que tem de reembolsar. Sinal certo é apresentar a este Parlamento uma solução rápida e eficiente para pôr o PRODER a funcionar e a agricultura a contribuir para a riqueza nacional. Sinal certo é dar mais do que hoje anunciou aos pensionistas e fiscalizar muito mais do que hoje admitiu o Rendimento Mínimo. Sinal certo é não discriminar os Antigos Combatentes e os Deficientes das Forças Armadas. Sinal certo é aceitar, sem preconceito ideológico, contratualizar cirurgias e consultas a mais doentes, começando por fazê-lo com o sector social. Sinal certo é comprometer-se, a quatro anos, com uma admissão de agentes da PSP, militares da GNR e investigadores e auxiliares da PJ que, claramente, compensem as aposentações e permitem reduzir a insegurança. Sinal certo é cuidar do endividamento e ser transparente, de um ponto de vista geracional diria mesmo, de um Orçamento inter-geracional o ónus das parcerias e a iniciativa simultânea de todas as grandes obras.

São estes os sinais certos. Desejo profundamente que reflicta sobre eles. O ónus está do seu lado, porque, como gostam de repetir algo tautologicamente, o Governo é que governa.

E é tempo de terminar. Faço-o invocando o sentido de Estado que sempre caracterizou todos os líderes do CDS quando abordaram os interesses permanentes do Estado na política externa e na política de Defesa. Faremos o que pudermos para manter os consensos essenciais. Pelo bem de Portugal, que é só o que interessa e a única lealdade a que obedecemos.



Paulo Portas

Benfica Brilha e Demonstra Classe na Europa

Slick Benfica outclass Everton


Saviola (right) was superb as an attacking force for Benifica

Javier Saviola and Oscar Cardozo scored as Benfica deservedly defeated Everton in the Europa League.

Saviola opened the scoring with a low finish early in the second half before Cardozo finished in the bottom corner.

Cardozo appeared to be in an offside position but Benfica's attacking play was superb and earlier he hit the post and Tim Howard superbly denied Saviola.

An unmarked Sylvain Distin had a chance for Everton from six yards late in the game but was denied by Julio Cesar.

Benfica were full value for their victory, with Cardoza, Saviola and Angel Di Maria interchanging passes with great skill and understanding.

The introduction of Argentine Pablo Aimar after the break only served to illustrate the difference in options between the visiting team and injury-hit Everton.

David Moyes's team - who were thrashed 5-0 at Benfica two weeks ago - have not won in any competition since they defeated BATE on 1 October.

Fonte: British Broadcasting Corporation - http://news.bbc.co.uk


Classy Benfica beat Toffees


Everton were again outclassed by Benfica as David Moyes' side went down 2-0 at Goodison Park in the Europa League.

After beating the Toffees 5-0 in Portugal a fortnight ago, Benfica turned on the style in the second period and deservedly won through Javier Saviola and Oscar Cardozo strikes.

The visitors almost took the lead near the end of the first half when Ramires' header hit the post before Tim Howard made a great reaction save to deny Saviola on the rebound.

But Saviola put the visitors in front on 63 minutes, slotting home into the bottom left-hand corner after a fine passing move by the Portuguese side.

Cardozo then made sure of the win when adding the second on 76 minutes to send Benfica three points clear at the top of Group I, with the Toffees remaining second after AEK Athens and BATE Borisov drew 2-2 in Greece.

Everton have now suffered two defeats after two wins and their match against AEK next month is crucial.

This is a worrying spell for manager Moyes as his side are struggling to get going in the Premier League as well.

The Toffees were made to pay here after failing to take advantage of their half-chances in the early stages.

Marouane Fellaini made space inside the area after only four minutes but found the body of Benfica goalkeeper Julio Cesar with his shot.

Fonte: Sky Sports - http://www.skysports.com

Thursday, November 05, 2009

Wednesday, November 04, 2009

Golfe em Palavras -

AS FRASES DOS HUMORISTAS Piadas, anedotas, reacções epidérmicas: o golfe presta-se ao humor – e nenhum golfista alguma vez desperdiçou uma boa oportunidade para rir-se de si próprio. Resultado: uma série de pérolas. “O golfe é como uma miúda de 18 anos com peitos grandes. Tu sabes que está errado, mas não te consegues afastar dela.”

VAL DOONICAN Cantor irlandês Anfitrião do “The Val Doonican Show”, da BBC “Na verdade, a única vez que eu saquei do meu ferro 1 foi para matar uma tarântula. E mesmo assim fiz sete pancadas.”

JIM MURRAY Jornalista norte-americano Editor do Los Angeles Times “O desporto de eleição dos pobres é o basquetebol. O da classe média baixa é o bowling. O dos quadros médios é o futebol americano. O dos supervisores é o basebol. O dos quadros superiores é o ténis. E o dos presidente de conselho de administração é o golfe. Conclusão: quanto mais sobre na vida, mais pequenas ficam as tuas bolas.

” idem “O swing de golfe é como o sexo. Não podes estar na mecânica da coisa enquanto a praticas.”

DAVE HILL Músico britânico Guitarrista dos Slade “Lembro-me perfeitamente da primeira vez que joguei abaixo das 90 pancadas. Fui para a club-house beber umas cervejas e fiquei tão excitado que me esqueci de jogar os restante nove buracos.”


BRUCE LANSKY Pedagogo norte-americano Fundador do Bruce Lansky Teacher Resource File “O golfe é jogado por vinte milhões de americanos cujas mulheres pensam que eles foram divertir-se.”


JIM BISHOP Jornalista norte-americano Notável opositor de Richard Nixon “Quando eu morrer, enterrem-me num campo de golfe. Assim, sempre posso ter esperança de que o meu marido me venha visitar.”


MARY PICKFORD Actriz norte-americana Vencedora de vários prémios da Academia “Estou a bater as madeiras muitíssimo bem. Não consigo é voltar ao fairway.”

HARRY TOFCANO Jornalista norte-americano Autor de vários livros com anedotas de golfe “Sei que estou a melhorar o meu jogo quando começo a atingir menos espectadores.”

GERALD FORD Antigo presidente americano Golfista quase tão fanático como Eisenhower “A razão por que os profissionais de golfe dizem para manteres os olhos no chão é para não os verem a rir-se do teu swing.”

PHYLLIS DILLER Actriz norte-americana ‘Compagnon de route’ de Groucho Marx “Jogar golfe é como ir a um clube de striptease. Começas todo excitadinho, pronto para a acção, mas três horas depois estás deprimido, desconfortável – e, para além disso, as tuas bolas desapareceram todas.”

JAMES CLARK Golfista norte-americano Vencedor de dois torneios do PGA Tour “O golfe é um jogo fascinante. Demorei cerca de quarenta anos a perceber que não consigo jogá-lo.”

TED RAY Golfista britânico Vencedor do British Open “Se pudesse, jogava todos os dias. É mais barato do que um psiquiatra e, alem disso, não há telefones no meu buggy.”

BRENT MUSBURGER Broadcasters norte-americano Colaborador da ABC e da ESPN e o especialista é: BOB HOPE Verdadeiro fanático do golfe, o mais mítico apresentador da televisão americano dá hoje nome a um torneio no PGA Tour. São suas algumas das frases mais divertidas da história da modalidade. “Se bato para a esquerda, é um hook. Se bato para a direita, é um slice. Se bato direito, é um milagre.”

BOB HOPE Apresentador de televisão norte-americano Dá nome a um torneio do PGA Tour “Se estou no campo e começam os trovões, volto de imediato para a club-house. Se Deus quer jogar, deixá-lo jogar”. Idem “Só espero que, quando chegar lá acima, Ele não me peça explicações sobre a quantidade de vezes que usei o nome d’Ele em vão.”

AS FRASES DOS POETAS Escritores, jornalistas, diplomatas – gente de todas as áreas escreveu inspiradamente sobre o golfe. Alguns escritores foram beijados momentaneamente pelo poeta e fizeram literatura também.
“Quão direita voou, quão longe voou/ Venceu o caminho sulcado/ E, elevando-se, desapareceu/ Da Vista/ Por detrás do bunker/ Um glorioso, navegante, entrelaçado drive/ Que me deixou feliz por estar vivo.”


JOHN BETJEMAN Poeta britânico Autor de “Summoned by Bells”, entre outros livros “O golfe é como um caso de amor. Se não o levas a sério, não tem piada nenhuma. Se o levas a sério, parte-te o coração.”


LEON GRIFFITHS Argumentista britânico Criador da série “The Minder” “O golfe não é simplesmente um exercício. É aventura, é romance – é uma peça de Shakespeare em que desastre e comédia aparecem lado a lado”


HAROLD SEGALL Jornalista norte-americano Edtor do The New York Times “Jogar golfe ensinou-me o significado da palavra humildade. Permitiu-me compreender toda a inutilidade do esforço humano.”

ABBA EBAN Diplomata e politico israelita Antigo vice-primeiro ministro de Israel “Num minuto estás a sangrar. No minuto seguinte, tens uma hemorragia. No outro já estás a pintar a Mona Lisa.”

MAC O’GRADY Golfista norte-americano Vencedor de dois torneios do PGA Tour “Dizem que o golfe é como a vida, mas não acreditem neles. O golfe é muito mais complicado do que isso.”


GARDNER DICKINSON Golfista norte-americano Vencedor de sete torneios do PGA Tour “A grande razão por que o golfe é tão popular é que é a melhor coisa do mundo em que se pode ser mau.”

A. A. MILNE Romancista britânico Autor de “O Mistério da Casa Vermelha”, entre outros livros “O golfe é vinte por cento mecânica e técnica. Os restantes oitenta por cento são filosofia, humor, tragédia, romance, melodrama, companheirismo, camaradagem, perversidade e conversa.”


GRANTLAND RICE Jornalista norte-americano Dá nome a um hall na Columbia University “Dezoito buracos de matchplay hão-de ensinar-lhe mais sobre o seu inimigo do que dezoito anos a trabalhar na secretária em frente a ele.” Idem “É quase impossível recordar o quão trágico o mundo é quando se está a jogar golfe.”

ROBERT LYND Escritor irlandês Activista do Sinn Féin “O golfe é uma diversão ideal e uma ruinosa doença.”

BERTIE FORBES Financeiro escocês Fundador da revista “Forbes” (caixinha dentro da caixa) E o especialista é: P.G. WOODEHOUSE Reconhecido como um dos maiores romancistas cómicos de sempre, P.G. Woodehouse foi também um ávido golfista. São suas algumas das melhores e mais literárias frases sobre o jogo. “Um homem que esteja a jogar sozinho, dê por si com um mau lie num rough difícil e seja capaz de jogar a bola como ela está – esse, sim, será o homem que vos servirá bem.”


P.G. WODEHOUSE Romancista norte-americano Autor de “Um Homem de visão”, entre outros livros “Ele desfruta daquela paz perfeita, daquela paz para além de todo o entendimento que só atinge o seu máximo quando um homem desiste de jogar golfe.” Idem “‘Afinal de contas, o golfe é apenas um jogo’, disse Millicent. As mulheres dizem estas coisas sem pensar. Não quer dizer que tenham um defeito de carácter. Simplesmente não percebem o que estão a dizer.”


AS FRASES DOS CAMPEÕES São momentos de repentismo surgidos em conferências de imprensa ou entrevistas. Aos verdadeiramente grandes, a pressão da competição nunca conseguiu estragar a presença de esírito.

“O golfe é jogado na sua maior parte num campo de dez centímetros: a distância entre as nossas duas orelhas.”

BOBBY JONES Norte-americano Reconhecido como o melhor golfista amador de sempre “Evita todos os teus instintos naturais, faz exactamente o contrário daquilo para que o teu corpo e a tua mente se inclinam – e então, provavelmente, estarás próximo do swing perfeito.”

BEN HOGAN Norte-americano Vencedor de nove torneios do Grand Slam “Ninguém perguntou se foi bonito ou não, mas apenas quantas fizeste.”
SAM SNEAD Norte-americano Vencedor de nove torneios do Grand Slam “Quanto mais treino, mais sorte tenho.”

GARY PLAYER Sul-africano Vencedor de nove torneios do Grand Slam “Tenho uma dica infalível para quem quiser subtrair cinco pancadas ao seu score: comprar uma borracha.”

ARNOLD PALMER Norte-americano Vencedor de sete torneios do Grand Slam “Gostava de ver os fairways mais estreitos. Assim, toda a gente tinha de jogar do rough, não apenas eu.”

SEVERIANO BALLESTEROS Espanhol Vencedor de cinco torneios do Grand Slam “O hockey é um desporto para brancos. O basquetebol é um desporto para pretos. E o golfe é um desporto para brancos vestidos como chulos pretos.”

TIGER WOODS Norte-americano Vencedor de 14 torneios do Grand Slam “O drive do John Daly é incrível. Normalmente, vou passar férias para mais perto.”

IAN-BAKER FINCH Australiano Vencedor do British Open “Porque é que eu estou a usar um novo putter? Porque o último não flutuava muito bem…”

CRAIG STADLER Norte-americano Vencedor do The Masters (caixinha dentro da caixa) E o especialista é: LEE TREVINO Poucos se destacaram tanto nos ditos espirituosos como o antigo campeão americano. Eis algumas das suas pérolas: “Golfe é a coisa mais divertida que eu já fiz vestido.”

LEE TREVINO, Norte-americano Vencedor de seis torneios do Grand Slam “Se fores apanhado por uma tempestade num campo de golfe e tiveres medo dos raios de trovão, ergue o teu ferro 1. Nem sequer Deus acerta com o ferro 1.” Idem “Um homem não sabe o que é a pressão até dar por si a jogar um matchplay por cinco dólares com apenas dois no bolso.”

NUMA REDE DE OUTRA COR) AS DEZ MAIS ODIOSAS DECLARAÇÕES DE ÓDIO

A lista de golf-haters, ou “odiadores do golfe”, vai dos políticos aos escritores, passando por jornalistas e até socialites. Eis algumas das melhores manifestações de desdém pelo jogo:

10. “O golfe é uma exibição de ambição ufana, de estupidez disfarçada de coragem e de habilidade coberta de arrogância.” ALISTAIR COOKE Jornalista norte-americano Golf-hater

9. “Só há uma coisa mais tola do que jogar golfe: ver alguém a jogar golfe. O que é que vemos, afinal? Trinta e sete tipos vestidos de polyester a arder ao sol. É mesmo coisa de fazer o sangue correr-nos nas veias…” PETER ANDREWS Matemático norte-americano Golf-hater

8. “Por mim, qualquer homem culpado de golfe seria barrado da administração pública americana e as suas famílias seriam deportadas para a Argentina.” H.L. MENCKEN Escritor norte-americano Golf-hater

7. “Um jogo em que um homem de 60 anos consegue bater um homem de 30 não é um jogo.” BURT SHOTTEN Produtor musical Golf-hater

6. “Não se lhe pode chamar um desporto. Não se corre, não se salta, não se passa, não se faz força. Tudo o que é preciso fazer é comprar umas roupas que não combinam” STEVE SAX Jogador de basebol Golf-hater

5. “Golf: a arte de bater com força, evitar o rough, fintar armadilhas e obstáculos, apontar a direito e chegar finalmente ao grren apenas para encontrar um buraco antes dos amigos. O passatempo favoritos de empresários e seus companheiros, provavelmente todos ignorantes do verdadeiro significado metafórico daquilo que estão a fazer.” RICK BAYAN Escritor norte-americano

4. “O golfe apela ao idiota que há em nós. E à criança. Tal como uma criança, nenhum golfista sabe contar até mais do que cinco.” JOHN UPDIKE Romancista norte-americano Golf-hater

3. “O homem culpa o destino por um acidente, mas sente-se pessoalmente responsável por um hole-in-one.” MARTHA BECKHAM Socialite norte-americana Golf-hater

2. “O golfe é como perseguir um comprimido de quinino numa pastagem de vacas.” WINSTON CHURCHILL Antigo primeiro-ministro britânico Golf-hater

1. “O golfe é um belo passeio estragado.” MARK TWAIN Escritor norte-americano Golf-hater

NUMA REDE DE OUTRA COR

OS DEZ MELHORES DITADOS DE GOLFE

São frases de autores desconhecidos ou apenas provérbios consolidados ao longo dos mais de 250 anos da história do golfe. Todos os dias são ditas em algum campo do mundo. Quer começar a brilhar nas rondas com os seus amigos?

10. “Passei quase toda a minha vida a jogar golfe. O resto foi desperdício.”

9. “O golfe é uma sucessão de tragédias ocasionalmente intercaladas por um milagre

8. “Quem me dera conseguir jogar o meu jogo normal ao menos uma vez.”

7. “Para muitos, o seu handicap é saber contar.”

6. “Uma coisa interessante no golfe é que, independentemente do quão mal estás a jogar, pode sempre piorar.”

5. “A madeira em que eu sou melhor é o lápis.”

4. “Mais vale um mau dia de golfe do que um bom dia de trabalho.”

3. “O golfe é um jogo difícil de compreender. Num dia vais jogar, fazes shanks, fazes slices, cais nos obstáculos todos e não consegues um único green in regulations. No outro, vais jogar outra vez e, quando menos se esperava, jogas mesmo mal.”

2. “Se jogas acima das 100, o teu negócio não é o golfe. Se jogas abaixo das 80, não tens negócio.”

1. “Como é que se chama o Mulligan na minha terra? Chama-se Três.”

Fonte: Revista J - www.7abaixo.com

No 19 com a cervejinha da praxe!

Durante os 18 excelentes buracos da Batalha a boa disposição esteve sempre presente, shot após shot!



Thursday, October 29, 2009

Monday, October 26, 2009

Mais do Mesmo

Legião Urbana

Composição: Dado Villa-lobos/ Renato Russo / Renato Rocha / Marcelo Bonfá

Ei menino branco o que é que você faz aqui
Subindo o morro pra tentar se divertir
Mas já disse que não tem
E você ainda quer mais
Por que você não me deixa em paz?

Desses vinte anos nenhum foi feito pra mim
E agora você quer que eu fique assim igual a você
É mesmo, como vou crescer se nada cresce por aqui?
Quem vai tomar conta dos doentes?
E quando tem chacina de adolescentes
Como é que você se sente?

Em vez de luz tem tiroteio no fim do túnel.
Sempre mais do mesmo
Não era isso que você queria ouvir?

Bondade sua me explicar com tanta determinação
Exatamente o que eu sinto, como penso e como sou
Eu realmente não sabia que eu pensava assim
E agora você quer um retrato do país
Mas queimaram o filme
E enquanto isso, na enfermaria
Todos os doentes estão cantando sucessos populares.
(e todos os índios foram mortos).


Sunday, October 11, 2009

Big Beat





Big beat ou Big Beat (também conhecido como Brit Hop, Amyl House e Chemical Beats) é um estilo de música eletrônica caracterizado por aceleradas batidas de Hip Hop juntamente com batidas de Funk, podendo incluir distorções de riffs de guitarras. Os principais expoentes desse estilo são The Chemical Brothers, Fatboy Slim e The Prodigy. Uma das mais importantes gravadoras desse estilo é a Moonshine.

A primeira colânea de Big Beat foi a Hardhop Tripno. O nome é uma combinação de Hard Techno com Trip Hop, dois estilos que muito influenciaram o Big Beat.

O Big Beat surgiu no Albany Club em Londres quando Tom Rowlands e Ed Simons da dupla The Chemical Brothers juntaram o Breakbeat com o tempo 4x4 da House Music. O Big Beat tem em média 145 BPMs. Mas não só de elementos da dita e-music contemporânea compõem este tão miscigenado estilo. A black music também integra o que temos hoje quando no estilo citado, ficando claro influências que vão do mestre James Brown à cultura rap dos anos 90. Bandas como Bomb The Bass são considerados os patronos do gênero, considerando tempos de conhecimento digital instantâneo e, é claro, o bom gosto que antes podera.
fonte: wikipédia

Tuesday, September 29, 2009

Colisões Galácticas - As vezes são inevitáveis




O Medo como Orientador da Nossa Vida
Uma vez que estamos sós no mundo, ou pelo menos não tão sós como gostaríamos de estar, temos o dever de dominar as nossas explosões, de fazer com que as explosões inevitáveis da nossa maldade ou da nossa bondade paradoxais vão aproximativamente no sentido do fim aproximativo. Quanto ao fim, talvez não seja lá muito importante determiná-lo com a precisão sádica que encontramos no sistema do mundo e no destino quando ambos se associam para determinar a posição do homem no espaço e no tempo.
Devemos evidentemente batermo-nos contra os dois, e como o mais importante é manter a direcção justa do fim talvez errado, é-nos necessário aguçar a nossa lucidez a fim de a tornarmos cortante como uma lâmina, acerada como uma seta, percuciente como uma punção. É graças a essa lucidez que funciona a nossa consciência, que não passa afinal de uma transcrição idílica do nosso medo, porque o medo lembra-nos infatigavelmente a direcção justa, e se sufocarmos o nosso medo, perderemos a possibilidade de nos orientarmos numa direcção determinada e daremos aqui e ali lugar a uma série de estúpidas explosões privadas, causando os piores estragos para um mínimo de resultados. É por isso que devemos conservar dentro de nós o nosso medo como um porto sempre livre de gelos que nos ajude a passar o Inverno, e também como uma corrente submarina vibrando por baixo da superfície gelada dos rios.

Stig Dagerman, in 'A Ilha dos Condenados'

Monday, September 28, 2009

CDS: De pacatez no Caldas a sede de campanha transformada em discoteca

CDS: De pacatez no Caldas a sede de campanha transformada em discoteca
28 de Setembro de 2009, 00:56

A noite eleitoral do CDS-PP começou pacata na sede de campanha. Apenas os jornalistas a fazerem movimentar o espaço e o cheiro a fritos da comida que se punha a jeito para alimentar os trabalhadores da noite. Mas, com a expressão «terceira força política» a espreitar nos rodapés das televisões, os apoiantes saíram de casa em massa e transformaram o Caldas numa discoteca popular.

Primeiro, aguardam-se os resultados e depois faz-se a festa. Parece ter sido esta a máxima seguida pelos dirigentes do CDS e respectivos apoiantes. Paulo Portas foi o último líder partidário a discursar e os seus militantes também tardaram em aparecer. Mas chegaram e fizeram a festa.

No Largo Adelino Amaro da Costa, local onde o CDS-PP tem a sua sede, à medida que cada deputado ia sendo confirmado como eleito, as bandeiras azuis e brancas aumentavam, as palmas foram crescendo de tom e o espaço, já de si pequeno, quase não chegou para acolher os que por ali quiseram passar.

E porque, antes do presidente do partido falar, já se antevia que o trabalho dos jornalistas seria difícil, o director de campanha do CDS tentou meter água na fervura e acalmar o entusiasmo. João Rebelo tentou. Pediu, delicadamente. Ordenou que se sentassem e abrissem espaço. Mas em vão. A noite era dos populares e quanto mais ali coubessem mais entrariam.

O líder entrou, emocionado, discursou, entusiasmado, e ouviu, atento, os cânticos da Juventude Popular que sobe sempre o tom de voz para calar todos os outros.

Mas no fim, ninguém arredou pé. A sede do partido passou de local de discussão política a discoteca para os presentes. As luzes azuis do espectáculo ajudaram à festa e a música subiu de tom. Olhando para trás, para o terceiro lugar do podium, nas varandas os discípulos de Portas dançavam nas varandas. E não era o hino cantado por Dina. Era música de dança para marcar o ritmo acelerado de quem chegou ao dois dígitos.

Fonte: sapo.pt

Friday, September 25, 2009

Vota em consciência!

Estamos no último dia de campanha.

De norte a sul de Portugal e em todas as ilhas - encontrámos cada vez
mais pessoas a pensar como nós. No Parlamento fomos o Partido que mais
trabalhou, na campanha fomos o Partido que menos gastou. Fizemos uma
campanha poupada nos recursos - respeitamos as dificuldades do país - mas
forte nas ideias. Fomos o Partido que mais propostas apresentou, que mais
soluções deu para os problemas que hoje enfrentamos. Ao longo desta
campanha nunca nos faltou convicção e entusiasmo.

Quero agradecer o seu apoio e dedicação. Mas ainda preciso de lhe pedir
mais:

Peço-lhe que até Domingo fale com a sua família, convença os seus
amigos, motive os que estão indecisos. Agora é voto a voto. Um só voto
pode fazer uma grande diferença.

Estamos muito perto de ter um grande resultado. É fundamental, para
Portugal, que o CDS fique à frente da extrema-esquerda. Não é com
nacionalizações e aumentos de imposto que se estimula a economia e cria
emprego.

Escrevo-lhe hoje porque sinto que estamos num momento de mudança. Um
momento decisivo.

O país deixado pelos socialistas tem mais impostos e menos crescimento,
mais desemprego e menos empresas, mais endividamento e menos produtividade,
mais dependência do exterior e menos exportações, mais rendimento mínimo
e menos pensões, mais pobreza e menos mobilidade social, mais criminalidade
e menos justiça, mais violência e menos autoridade, mais desmotivação
nos professores e menos exigência nos alunos, portugueses a mais sem
médico de família e urgências a menos para os doentes. É este, no
essencial, o balanço económico e social dos socialistas.

No país que os socialistas governaram, o Estado falhou em responsabilidades
que são fundamentais. Não há Estado de Direito quando a sociedade não
acredita na justiça. Não há liberdade individual quando não há
segurança colectiva. Não há economia de mercado quando não há
concorrência efectiva. Não há confiança no sistema financeiro quando o
regulador do sistema financeiro não inspira confiança. Não há moral para
exigir deveres aos cidadãos quando o Estado deixa sempre as suas
responsabilidades por assumir.

No Domingo, os Portugueses podem censurar quem merece ser censurado e
premiar quem merece ser premiado. O PS governou mal. Sócrates tem de levar
um cartão vermelho. Na oposição, foi o CDS quem mais trabalhou.
Precisamos de ter mais força.

Somos um Partido de convicções e soluções. Não nos limitamos a dizer
mal. Apresentámos alternativas. Defendemos uma economia de mercado com
responsabilidade ética. Queremos bancos decentes e não bancos de fraudes.
Apostamos radicalmente nas PMEs. 280.000 empresas estão a lutar, todos os
dias, para garantir 2 milhões de empregos. Queremos menos impostos e
impostos mais amigos da família. Valorizamos os sectores produtivos. Não
abandonamos o mundo rural nem os recursos do Mar. Pedimos melhor protecção
social dos jovens e casais no desemprego. As pensões mínimas de quem
trabalhou toda a vida são a nossa prioridade. É preciso travar os abusos
do Rendimento Mínimo. A aposta nos jovens é o nosso desafio. Protegemos a
autoridade dos professores e defendemos a exigência na escola.

Temos soluções humanistas para a saúde. Reclamamos mais polícia com
autoridade. Propomos julgamentos rápidos para travar o crime.

Demos provas de trabalho. Somos alternativa confiável. José Sócrates é o
passado. A extrema-esquerda é o pior do nosso passado. O CDS é o futuro.

Pedimos o seu apoio. Por Portugal.

Com um forte abraço,


Paulo Portas

Friday, September 18, 2009

Thursday, September 10, 2009

Amantes dos Ralis

Sport Lisboa e Benfica- O Maior Clube Português

A Federação Internacional de História e Estatística do Futebol (IFFHS), conhecida pelos vários rankings mensais e anuais associados ao Futebol, divulgou hoje um novo ranking, denominado por Ranking de Clube Europeu do Século XX. O Benfica surge no 9º lugar, com o FC Porto a ocupar a 29º posição, cabendo ao Sporting fechar o pódio português no 47º posto. O Ranking é liderado, sem grande surpresa, pelo Real Madrid.

Para a determinação do ranking contam os resultados dos jogos das várias provas europeias desde 1901 até 2000 (Taça Mitropa começou por ex. em 1927), não sendo contabilizados os jogos dos vários campeonatos nacionais, já que a IFFHS defende que as Ligas Nacionais são apenas um meio para chegar às competições continentais (Liga dos Campeões, Europa League, etc, etc) onde aí, efectivamente, é possível comparar as várias equipas. Neste Ranking estão apenas presentes equipas europeias, e as provas mais importantes têm um peso superior a provas «menores».


Classificação:
1. Real Madrid, 563,50 pontos
2. Juventus, 466,00
3. FC Barcelona, 458,00
4. AC Milan, 399,75
5. Bayern Munique, 399,00
6. Inter de Milão, 362,00
7. Ajax, 332,75
8. Liverpool, 300,25
9. Benfica, 299,00
10. Anderlecht, 231,00

Outros clubes portugueses:
29. FC Porto, 115,00
47. Sporting, 68,00
110. V. Setúbal, 21,00


Pesos das várias competições:

Taça e Liga dos Campeões (oito pontos por vitória e quatro por empate)
Taça das Feiras e Taça UEFA (seis pontos por vitória e três pontos por empate)
Taça das Taças (cinco pontos por vitória e 2,5 por empate)
Taça Mitropa (quatro pontos por vitória e dois por empate)
Taça Latina (quatro pontos por vitória e dois por empate)
Supertaça Europeia (6,5 pontos por vitória e 3,25 por empate).

Fonte:

Wednesday, September 02, 2009

Portugal 'à deriva'. Quem nos acode?

A Análise

Portugal 'à deriva'. Quem nos acode?
Esta democracia não resiste a esta economia. Sem resposta eficaz para o presente afundamento económico, a actual democracia acabará por ser substituída.


Vivemos, em geral, sob a ‘ditadura’ do curto prazo. Também nos domínios económico, financeiro e social, estamos circunscritos ao ‘trimestre’. O método que se usa é fácil e bem acolhido porque consente todas as interpretações e, por isso, a todos serve. Mas tem um grave efeito redutor porque os portugueses ficam sem saber como estão e para onde os levam. Têm hoje uma visão que não passa do dia seguinte.

Os consequentes custos políticos são enormes, porque se cuida sempre e só da conjuntura, omite-se as análises e as indispensáveis soluções estruturais.

Trata-se de uma prática que explica, em grande parte, o afundamento incessante do nosso País. Com ela não ocorrerá qualquer mudança, de fundo e indispensável, porque as verdadeiras soluções são sempre desconhecidas. Temos os factos a demonstrá-lo: entram e saem governos, partidos e políticos, anos sucedem-se a outros anos, mas o agravamento da economia, das finanças e do ‘social’ é uma constante.

Baseados nestas análises, meramente conjunturais e com falta de entendimento das tendências da globalização, há os que pensam num destino português sempre ‘pendurado’ em alguém (África, Índia, Brasil e União Europeia): e assim se escusam de quaisquer preocupações, embora nunca identifiquem quem e por que estará disposto a ‘carregar’ connosco, já em 2015-2020.

"O optimismo é hoje uma pura mistificação" (como bem sublinha Vasco Pulido Valente) mas, mesmo assim, ainda há ‘optimistas’ por aí! Do outro lado estão os chamados ‘pessimistas’: aqueles que tentam ver mais longe e mais fundo, defendem a dignidade do País, exigem responsabilidades e não crêem que tenhamos o direito de transformá-lo no mendigo da Europa.

Os nossos graves e visíveis desequilíbrios financeiros com inevitáveis efeitos sociais só podem ser enfrentados pela drástica redução das despesas e/ou pelo rápido crescimento da economia.

O ataque às despesas públicas é, de há muito, um completo fracasso, tentado por todos os governos. Estes saem e tudo fica pior.

Duas razões o explicam: a primeira é a quase estagnação da nossa economia (0,8% anuais, entre 2000 e 2008); a segunda é a natureza das despesas que mais pesam nas contas públicas e que são as do ‘pessoal’ e as das ‘prestações sociais’. Muito rígidas, correspondiam já a cerca de 78% da despesa primária (total menos juros), em 2008.

Quem é beneficiário destes pagamentos?

São 700 000 funcionários, cerca de 3 400 000 reformados, perto de 350 000 titulares do RSI, uns 300 000 desempregados e outros centos de milhares de subsidiados diversos, num total superior a 6 milhões de indivíduos.

Isto é: temos estes 60 a 70% de eleitores inscritos, que são militantes atentos e empenhados do ‘Partido do Estado’!

Quem vai ‘tocar-lhes’, num prazo que ainda possa ser útil?

É muito pequeno o mercado interno português e, por isso, só através das exportações e da substituição de importações poderemos registar crescimentos significativos da economia e do emprego. Ocorre que o contributo das exportações para a nossa economia tem sido muito pequeno: 32-33% do PIB, em média, desde há muitos anos.

Temos, portanto, uma decisiva prioridade: alargar, suficiente, urgente e competitivamente, o nosso tecido produtivo.

Não exportaremos muito mais desde que não produzamos competitivamente.

Porque só agora se dá, preocupadamente, por isso?

Com o escudo, disfarçámos facilmente esta nossa tradicional debilidade porque, quando se perdia, perigosamente, competitividade, desvalorizava-se a moeda e, em alguns meses, restabelecia-se um certo equilíbrio.

Agora, com o euro, nada disso é possível.

O quadro é este: competimos mal e exportamos pouco; não temos moeda própria e não podemos corrigir facilmente a situação; a economia cresce devagar, o desemprego sobe, os défices externos são dos mais altos do mundo e o endividamento é insustentável.

Numa palavra: estamos ‘encurralados’.

O panorama dos últimos dez anos é muito sombrio e, sobre ele, os partidos não se pronunciam, clara e autonomamente, não analisam com rigor os factos e não alvitram quaisquer soluções à altura das necessidades.

Não se compreende este alheamento, mas é um facto.

E, porque estamos no domínio da política, tem de perguntar-se o que tem o Estado a fazer, sendo certo que há matérias em que só ele pode e deve fazer.

Duas coisas, a meu ver: primeiro, averiguar com cuidado por que há investidores interessados na Hungria, na Polónia, na República Checa, na Eslovénia ou na Eslováquia, e não querem vir para Portugal, havendo mesmo os que daqui se ‘deslocalizam’; segundo, com base nessa análise, apresentar ao País uma proposta das reformas necessárias para criar vantagens comparativas nas opções respeitantes aos investimentos para as exportações/substituição de importações.

É certo haver áreas públicas relevantes e que pesam nas opções dos investidores: leis do trabalho, impostos e taxas, tribunais, especialização da mão-de-obra, burocracia, nível da corrupção, mercado do arrendamento, custos energéticos e das telecomunicações, secretismo dos PIN, benefícios atribuídos casuisticamente e sem controlo, etc.

Hoje, porém, ninguém sabe em que medida, de modo seguro, sistemático e inequívoco, se foge, cada vez mais, de investir em Portugal para se investir no Leste europeu.

Podemos todos ‘achar’ que sabemos – como é usual entre nós! – mas sem as indispensáveis certezas que fundamentem políticas eficazes.

Vale a pena recordar que o melhor período da nossa economia, no século passado, se deveu, em especial, à entrada para a EFTA e ao estatuto privilegiado contido no Anexo G. As vantagens comparativas então conseguidas atraíram para Portugal numerosas e decisivas indústrias, hoje em incontida debandada.

Em função das novas circunstâncias, impõe-se-nos agora criar vantagens comparativas, afeiçoadas às realidades internacionais presentes.

Se o eleitorado aprovasse as propostas apresentadas para o efeito, qualquer Governo teria legitimidade democrática para executá-las.

Se as rejeitasse, assumiria democraticamente a responsabilidade pelas consequências do marasmo económico, isto é, o elevado desemprego, os baixos salários, as prestações sociais exíguas, a pobreza crescente, as desigualdades, o endividamento e o temor do futuro.

Na verdade, é legítimo que um povo opte pela pobreza, desde que compreenda bem o sentido e as consequências do que vota.

Não como nos encontramos hoje: com uma caricatura de democracia, baseada no engano das gentes e na estreiteza das competências, os portugueses arrastam-se ‘às cegas’ para um desastre, que não é desejado, nem pressentido.

É que não basta aos governos realizar algumas coisas positivas, o que com todos sempre acontece: porque, se faltar ‘a’ obra essencial, tudo será em vão.

Há momentos históricos dependentes, decisivamente, de um só ‘pormenor’

O Estado Novo naufragou por falta de solução para as guerras coloniais; sem resposta eficaz para o presente afundamento económico, a actual democracia mergulhará o nosso País numa confusão financeira e social, de efeitos dificilmente previsíveis, e acabará por ser substituída. Provavelmente, entre 2015 e 2020.

As eleições que estão à vista serão decisivas, neste contexto de acelerada decadência: o ataque frontal às fragilidades da economia é hoje ‘o’ verdadeiro problema de Portugal, o que importa relevar vivamente.

Porque, se não houver uma proposta política que o contemple, nem a identificação prévia da gente, competente e séria, que irá concretizá-la, não teremos cura que chegue para a questão económica.

Mostram-se o PS e o PSD à altura destas necessidades prementes do País?

Se forem o mesmo PS, que leva agora onze em catorze anos de Governo, e o mesmo PSD, que soma três, as minhas preocupações atingirão o grau do ‘pavor’.

Pede-se-lhes, por isso, três coisas apenas: primeira, um pequeno programa, claro e curto, e não, como usualmente, uma ‘apólice’ de seguro para enganar os eleitores, que contemple só as medidas indispensáveis para atingir os objectivos económicos enunciados; segundo, a indicação dos nomes previstos para as Finanças, a Economia, a Justiça, a Educação e a Segurança Social, garantes da sua execução, já que os ‘partidos’, em si mesmos, não gozam da confiança da maioria dos portugueses; e, terceiro, que restaurem a ética na política.

Só assim me parece que haverá condições para iniciar um processo de reconstrução, porque legitimado pelo voto esclarecido e responsável de uma maioria.

Qualquer maioria?

Absoluta de um partido, não: os estragos irreparáveis já produzidos em Portugal, nestes quatro anos, dos quais Sócrates nem sequer tem consciência, constituem uma duríssima e inesquecível lição.

Maioria relativa, sim, se apoiada no tal programa, em tais personalidades e em nome de valores éticos.

O que verdadeiramente espero?

Que o PS e o PSD se compenetrem de que vivemos num tempo histórico, muito arriscado, incerto e ameaçador: se falharem, mais uma vez em quase duas décadas, acabará por ser varrida a partidocracia que ergueram e comandam em Portugal.

Medina Carreira, Ex-ministro das Finanças
in correio da manhã, 30 agosto 2009
Reflexões do Professor Medina Carreira

"Eu não sou candidato a nada, e por conseguinte não quero ser popular. Eu não quero é enganar os portugueses. Nem digo mal por prazer, nem quero ser «popularucho» porque não dependo do aparelho político!"


"Ainda há dias eu estava num supermercado, numa bicha para pagar, e estava uma rapariga de umbigo de fora com umas garrafas, e em vez de multiplicar «6x3=18», contava com os dedos: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9... Isto é ensino...é falta de ensino, é uma treta! É o futuro que está em causa!"


"Os números são fatais. Dos números ninguém se livra, mesmo que não goste. Uma economia que em cada 3 anos dos últimos 27, cresceu 1% em 2...esta economia não resiste num país europeu."


"Quem anda a viver da política para tratar da sua vida, não se pode esperar coisa nenhuma. A causa pública exige entrega e desinteresse."


"Se nós já estamos ultra-endividados, faz algum sentido ir gastar este dinheiro todo em coisas que não são estritamente indispensáveis? P'ra gente ir para o Porto ou para Badajoz mais depressa 20 minutos? Acha que sim? A aviação está a sofrer uma reconversão, vamos agora fazer um aeroporto, se calhar não era melhor aproveitar a Portela? Quer dizer, isto está tudo louco!"


"Eu por mim estou convencido que não se faz nada para pôr a Justiça a funcionar porque a classe política tem medo de ser apanhada na rede da Justiça. É uma desconfiança que eu tenho. E então, quanto mais complicado aquilo for..."


"Nós tivemos nos últimos 10-12 anos 4 Primeiros-Ministros:

-Um desapareceu;

-O outro arranjou um melhor emprego em Bruxelas, foi-se embora;

-O outro foi mandado embora pelo Presidente da República;

-E este coitado, anda a ver se consegue chegar ao fim e fazer alguma coisa..."


"O João Cravinho tentou resolver o problema da corrupção em Portugal. Tentou. Foi "exilado" para Londres. O Carrilho também falava um bocado, foi para Paris. O Alegre depois não sei para onde ele irá... Em Portugal quem fala contra a corrupção ou é mandado para um "exílio dourado", ou então é entupido e cercado."


"Mas você acredita nesse «considerado bem»? Então, o meu amigo encomenda aí uma ponte que é orçamentada para 100 e depois custa 400? Não há uma obra que não custe 3 ou 4 vezes mais? Não acha que isto é um saque dos dinheiros públicos? E não vejo intervenção da polícia... Há-de acreditar que há muita gente que fica com a grande parte da diferença!"


"De acordo com as circunstâncias previstas, nós por volta de 2020 somos o país mais pobre da União Europeia. É claro que vamos ter o nome de Lisboa na estratégia, e vamos ter, eventualmente, o nome de Lisboa no tratado. É, mas não passa disso. É só para entreter a gente..."


"Isto é um circo. É uma palhaçada. Nas eleições, uns não sabem o que estão a prometer, e outros são declaradamente uns mentirosos: -Prometem aquilo que sabem que não podem."


"A educação em Portugal é um crime de «lesa-juventude»: Com a fantasia do ensino dito «inclusivo», têm lá uma data de gente que não quer estudar, que não faz nada, não fará nada, nem deixa ninguém estudar. Para que é que serve estar lá gente que não quer estudar? Claro que o pessoal que não quer estudar está lá a atrapalhar a vida aqueles que querem estudar. Mas é inclusiva.... O que é inclusiva? É para formar tontos? Analfabetos?"


"Os exames são uma vergonha. Você acredita que num ano a média de Matemática é 10, e no outro ano é 14? Acha que o pessoal melhorou desta maneira? Por conseguinte a única coisa que posso dizer é que é mentira! Está-se a levar a juventude para um beco sem saída. Esta juventude vai ser completamente desgraçada! "


"A minha opinião desde há muito tempo é TGV- Não! Para um país com este tamanho é uma tontice. O aeroporto depende. Eu acho que é de pensar duas vezes esse problema. Ainda mais agora com o problema do petróleo. "Bragança não pode ficar fora da rede de auto-estradas? Não? Quer dizer, Bragança fica dentro da rede de auto-estradas e nós ficamos encalacrados no estrangeiro? Eu nem comento essa afirmação que é para não ir mais longe... Bragança com uma boa estrada fica muito bem ligada. Quem tem interesse que se façam estas obras é o Governo Português, são os partidos do poder, são os bancos, são os construtores, são os vendedores de maquinaria... Esses é que têm interesse, não é o Português!"


"Nós em Portugal sabemos é resolver o problema dos outros: A guerra do Iraque, do Afeganistão, se o Presidente havia de ter sido o Bush, mas não sabemos resolver os nossos. As nossas grandes personalidades em Portugal falam de tudo no estrangeiro: criticam, promovem, conferenciam, discutem, mas se lhes perguntar o que é que se devia fazer em Portugal nenhum sabe. Somos um país de papagaios... Receber os prisioneiros de Guantanamo? «Isso fica bem e a alimentação não deve ser cara...» Saibamos olhar para os nossos problemas e resolvê-los e deixemos lá os outros... Isso é um sintoma de inferioridade que a gente tem, estar sempre a olhar para os outros. Olhemos para nós!"


"A crise internacional é realmente um problema grave, para 1-2 anos. Quando passar lá fora, a crise passará cá. Mas quando essa crise passar cá, nós ficamos outra vez com os nossos problemas, com a nossa crise. Portanto é importante não embebedar o pessoal com a ideia de que isto é a maldita crise. Não é!"


"Nós estamos com um endividamento diário nos últimos 3 anos correspondente a 48 milhões de euros por dia: Por hora são 2 milhões! Portanto, quando acabarmos este programa Portugal deve mais 2 milhões! Quem é que vai pagar?"


"Isso era o que deveríamos ter em grande quantidade. Era vender sapatos. Mas nós não estamos a falar de vender sapatos. Nós estamos a falar de pedir dinheiro emprestado lá fora, pô-lo a circular, o pessoal come e bebe, e depois ele sai logo a seguir..."


"Ouça, eu não ligo importância a esses documentos aprovados na Assembleia...Não me fale da Assembleia, isso é uma provocação... Poupe-me a esse espectáculo...."


"Isto da avaliação dos professores não é começar por lado nenhum. Eu já disse à Ministra uma vez «A senhora tem uma agenda errada"» Porque sem pôr disciplina na escola, não lhe interessa os professores. Quer grandes professores? Eu também, agora, para quê? Chegam lá os meninos fazem o que lhes dá na cabeça, insultam, batem, partem a carteira e não acontece coisa nenhuma. Vale a pena ter lá o grande professor? Ele não está para aturar aquilo... Portanto tem que haver uma agenda para a Educação. Eu sou contra a autonomia das escolas. Isso é descentralizar a «bandalheira»."


"Há dias circulava na Internet uma notícia sobre um atleta olímpico que andou numa "nova oportunidade" uns meses, fez o 12ºano e agora vai seguir Medicina... Quer dizer, o homem andava aí distraído, disseram «meta-se nas novas oportunidades» e agora entra em Medicina... Bem, quando ele acabar o curso já eu não devo cá andar felizmente, mas quem vai apanhar esse atleta olímpico com este tipo de preparação... Quer dizer, isto é tudo uma trafulhice..."


"É preciso que alguém diga aos portugueses o caminho que este país está a levar. Um país que empobrece, que se torna cada vez mais desigual, em que as desigualdades não têm fundamento, a maior parte delas são desigualdades ilegítimas para não dizer mais, numa sociedade onde uns empobrecem sem justificação e outros se tornam multi-milionários sem justificação, é um caldo de cultura que pode acabar muito mal. Eu receio mesmo que acabe."


"Até há cerca de um ano eu pensava que íamos ficar irremediavelmente mais pobres, mas aqui quentinhos, pacíficos, amiguinhos, a passar a mão uns pelos outros... Começo a pensar que vamos empobrecer, mas com barulho... Hoje, acrescento-lhe só o «muito». Digo-lhe que a gente vai empobrecer, provavelmente com muito barulho... Eu achava que não havia «barulho», depois achava que ia haver «barulho», e agora acho que vai haver «muito barulho». Os portugueses que interpretem o que quiserem..."


"Quando sobe a linha de desenvolvimento da União Europeia sobe a linha de Portugal. Por conseguinte quando os Governos dizem que estão a fazer coisas e que a economia está a responder, é mentira! Portanto, nós na conjuntura de médio prazo e curto prazo não fazemos coisa nenhuma. Os governos não fazem nada que seja útil ou que seja excessivamente útil. É só conversa e portanto, não acreditem... No longo prazo, também não fizemos nada para o resolver e esta é que é a angústia da economia portuguesa."


"Tudo se resume a sacar dinheiro de qualquer sítio. Esta inter-penetração do político com o económico, das empresas que vão buscar os políticos, dos políticos que vão buscar as empresas... Isto não é um problema de regras, é um problema das pessoas em si... Porque é que se vai buscar políticos para as empresas? É o sistema, é a (des)educação que a gente tem para a vida política... Um político é um político. E um empresário é um empresário. E não deve haver confusões entre uma coisa e outra.. Cada um no seu sítio. Esta coisa de ser político, depois ministro, depois sai, vai para ali, tira-se de acolá, volta-se para ministro...é tudo uma sujeira que não dá saúde nenhuma à sociedade."


"Este país não vai de habilidades nem de espectáculos. Este país vai de seriedade. Enquanto tivermos ministros a verificar preços e a distribuir computadores, eles não são ministros! Eles não são pagos nem escolhidos para isso! Eles têm outras competências e têm que perceber quais os grandes problemas do país!"


"Se aparece aqui uma pessoa para falar verdade, os vossos comentadores dizem «este tipo é chato, é pessimista».... Se vem aqui outro trafulha a dizer umas aldrabices fica tudo satisfeito... Vocês têm que arranjar um programa onde as pessoas venham à vontade, sem estarem a ser pressionadas, sossegadamente dizer aquilo que pensam. E os portugueses se quiserem ouvir, ouvem. E eles vão ouvir, porque no dia em que começarem a ouvir gente séria e que não diz aldrabices, param para ouvir.

O Português está farto de ser enganado!

Wednesday, August 19, 2009

Conversas Paralelas



Esperamos..., esperamos, esperamos... e nada de começar o mega evento conferêncista!!
Não apareceu ninguém, e acho que nós tb não, mas estivemos lá esperando o inicio da chegada do mar de gente... e nada!
Tal barracada!
Salvou-se a sólida e amiga troca de impressões entre conversas paralelas.

Indicações utéis após o inicio agudo de azia (i)ncapacitante:


Pepsamar Angelini

Apresentação: Embalagem de 60 comprimidos mastigáveis

Substância Activa: Hidróxido de alumínio (240 mg)

Via de Administração: Via oral

Indicações: Alívio rápido da azia, ardor do estômago, acidez e indisposição gástrica.

Conselhos de utilização: Deve tomar 1-4 comprimidos mastigáveis, entre as refeições e ao deitar, até 4 vezes ao dia ou segundo a indicação do médico.

Wednesday, August 12, 2009

ai ai ai, a probreza a que estamos destinados




Adeus vida atinada
dos horarios e das bichas
e das gripes do inverno
e do suor do verao
adeus vida atinada
Adeus as praias
cheias de gente
e um beijo pra quem fica
Adeus vida atinada
ter de dormir sete horas por dia
ir para o trabalho e ainda e de noite
ser sempre o mesmo a todas as horas
adeus vida atinada
das mil maneira de passar fome
Adeus as praias
cheias de gente
e um beijo pra quem fica
Mudar de roupa, saldar o cabelo
dormir num carro, todo nu em pelo
dizer que hoje o dia esta perfeito
por oculos escuros a torto e a direito
pois hoje eu vou pegar na guitarra
e hoje que eu me faco a estrada
Ola o vida malvada
Escorrega e desliza
nessa estrada de vento
sempre, sempre, sempre
Adeus as praias
cheias de gente
e um beijo pra quem fica

xutos 2009